quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O CASAL RESPONSÁVEL DE EQUIPE E O SACERDOTE CONSELHEIRO ESPIRITUAL


Na sua dinamicidade, cada equipe elege anualmente um casal responsável. Este casal será como que o leme, dando direção à equipe para que os casais não se percam no caminho e não desanimem. O casal responsável, dentre outras funções, tem a função específica de “encorajar e reforçar o compromisso dos membros da equipe em relação a essa pequena comunidade, para que a ajuda mútua aí seja efetiva e cada um se sinta verdadeiramente aceito, reconhecido e amado” [1].

O casal responsável torna-se como que os “pais” da equipe durante um ano. Pois são eles que, na visão dos outros casais, estão mais preparados para assumir a frente da equipe naquele período. Por isso, estes têm que dar testemunho de unidade, compromisso e coragem, a fim de que os outros casais também se comprometam e se empenhem, participando ativamente do Movimento e de suas reuniões. O Casal Responsável “é o responsável pelo amo fraterno. Dele depende que a Equipe seja, uma vitória da caridade evangélica e que cada casal nela encontre o auxílio de que tem necessidade” [2]. servem também de “ponte”, fazendo a ligação de sua equipe com o setor[3].

Visando atender os casais das ENS na sua plenitude e também os Casais Responsáveis de Equipe, as ENS não poderiam dispensar a presença de um sacerdote para auxiliar as equipes e os casais. “Na equipe, comunidade de Igreja, ele não é somente um conselheiro espiritual, mas cumpre a sua função sacerdotal. Ele ‘torna presente o Cristo como Cabeça do Corpo’” [4]. Dessa forma, as ENS fazem uma junção ideal de dois sacramentos, o da ordem e do matrimônio. “Sacerdotes e casais aprendem a compreender-se, a estimar-se, a auxiliar-se mutuamente” [5]. Ambos estão vocacionados ao serviço e a comunhão.

A família trabalhando a favor da sociedade, fazendo com que esta seja edificada em bases consistentes, através da formação humana e cristã da família. O sacerdote atua como pessoa qualificada pela Igreja, representante legal de Cristo Cabeça. Ajudando a consolidar a fé do Povo de Deus. O sacerdote cumpre seu papel junto às famílias, e juntos, família e Igreja, buscam alternativas que ajudem a sociedade a crescer mais fraterna e igualitariamente, através de uma fé e amor mais conscientes e profundos.


[1] Ibid., p. 34.

[2] Carta as Equipes de Nossa Senhora (Estatutos): Disciplina das Equipes Apud CAFFAREL, 2006, p.35.

[3] Setor é uma comunidade de equipes que querem caminhar juntas e se ajudar mutuamente nesse caminho. Elas formam uma unidade geográfica de cinco a vinte equipes, aproximadamente, pequena bastante para lhes permitir uma fácil comunicação entre elas, mas com equipes suficientes para assegurar a animação. A responsabilidade do setor é confiada a um casal, por um convite do Movimento. Esse casal é chamado de “Responsável de Setor”. (GUIA das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2003, p. 35.).

[4] Ibid.

[5] Carta as Equipes de Nossa Senhora (Estatutos): Disciplina das Equipes Apud CAFFAREL, 2006, p.35.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

EQUIPES DE NOSSA SENHORA: UMA NECESSIDADE QUE SE IMPÕEM

Como se percebe, a família tem necessitado de ajuda e incentivo para superar as contrariedades do dia a dia que se opõem aos seus valores primordiais. Então surgem as seguintes perguntas: Onde estaria o grande mal que aflige a família e onde se inicia esse processo de desestruturação familiar? O que fazer para mudar esta realidade? Que alternativas buscar?

A Igreja juntamente com os leigos não cessam de buscar e apontar alternativas para ajudar as famílias a se reencontrarem com Deus e consigo mesma, procurando dar respostas positivas aos apelos da família que em meio à sociedade, muitas vezes sofre silenciosamente e neste silêncio vai perdendo sua força e vitalidade.

Os agrupamentos familiares e de casais, movimentos ou associações, aparecem como proposta concreta de valorização e resgate do matrimônio e da família. São diversas associações familiares que desempenham um papel importantíssimo para o prolongamento do Reino de Deus neste mundo.

Com intuito real de unir forças e promover o bem dos cônjuges e consequentemente da família surge na França no final da década de trinta, as Equipes de Nossa Senhora[1], encabeçada por alguns casais e o sacerdote Henri Caffarel, os quais dão início a este movimento eclesial de casais cristãos, buscando respostas para o melhoramento do seu relacionamento matrimonial.

Não há como negar que o casal Gerard e Madeleine, surge como que precursor dessa obra maravilhosa que são as Equipes de Nossa Senhora. O desejo profundo de Madeleine em melhorar sua relação conjugal aprofundando o sentido espiritual do matrimônio, e também os outros sentidos que viriam em acréscimo, insere no seio da Igreja um movimento de espiritualidade conjugal muito precioso e necessário para o desenvolvimento das relações conjugais em todos os sentidos, fossem eles corporais ou espirituais.

Não se pode deixar de notar a sensibilidade no acolhimento do Pe. Henri Caffarel diante do apelo daquela mulher. Seu “sim”, a exemplo do “sim” de Maria (cf. Lc 1,38), alcançará um sentido inimaginável, talvez, até pelo o próprio Pe. Caffarel quando decidiu ajudar aquele casal. Com certeza Pe. Caffarel não tinha noção de que aquele gesto em acolher alguns casais e ajudá-los, a luz do evangelho de Jesus Cristo, ouvindo-os, aconselhando-os e partilhando suas alegria e dores, tornar-se-ia um dos mais completos itinerários de fé para o aprimoramento da espiritualidade conjugal, através de uma catequese matrimonial e espiritual colocada a disposição das famílias cristãs.

Na primeira reunião entre o Pe. Caffarel e os outros casais falou-se exatamente sobre “o amor, e mais concretamente, o amor no matrimônio” [2]. Verifica-se com este tema o grau de profundidade que teriam aqueles encontros, abordando justamente aquilo que nutre a relação matrimonial, ou seja, o amor. Não um amor qualquer, inconstante e inconveniente, mas o amor conjugal. Nascente da relação familiar e propulsor de vida abundante e dignificada para toda sociedade, pois este mesmo amor representa a relação do homem e mulher com Deus.

Os “Grupos Nossa Senhora das Famílias” [3] apresentam uma nova proposta sobre o amor no matrimônio, surgindo assim “o que se chamará de ‘espiritualidade conjugal’: os casados são chamados à santificação, não apesar do casamento, mas no e pelo casamento” [4]. O Pe. Henri Caffarel apresenta a espiritualidade conjugal como sendo “a arte de viver no estado do casamento toda uma vida cristã conforme os desígnios de Deus” [5]. A espiritualidade conjugal estreita os laços entre Deus e o próprio casal, capacitando os cônjuges ao reconhecimento de que o amor conjugal é uma extensão do amor divino e por isso merece todo empenho, afeição e dedicação por parte daqueles que o tomam sobre si.

Mas qual seria verdadeiramente a grande novidade trazida pelas Equipes de Nossa Senhora e o que estaria acontecendo com os casais cristãos para se propor aquela nova alternativa de vida matrimonial? O Pe. Caffarel na sua percepção nos diz que “os cristãos cumprem suas obrigações religiosas, para estarem moralmente ‘em regra’. Marido e mulher levam vidas cristãs paralelas, que podem até ser fervorosas, mas são assuntos privados de que não falam entre si” [6].

Muitos casais vivem em aparente harmonia, porém quando se trata da capacidade de dialogar são extremamente alheios ao assunto. Ambos não buscam aprofundar-se nesta matéria e até chegam a dizer que não tem tempo para isto, como se o diálogo no matrimônio fosse algo que pudesse ser dispensado ou anulado. Infelizmente após o matrimônio, alguns casais tornam-se como que estranhos que não conversam cotidianamente e não levam em conta a nova realidade trazida pelo sacramento, que exige uma abertura constante por parte dos cônjuges e que sem a presença de diálogo, de vidas colocadas em comum e a disposição do outro não se é capaz de alcançar uma vivência matrimonial satisfatória. A intenção do Pe. Caffarel era que os cônjuges descobrissem também que o sacramento do matrimônio os conduziria ao diálogo com Deus e a uma íntima relação com Cristo. Descobririam igualmente que se voltando um para o outro estariam voltando-se e caminhando ao encontro de Deus.

Partindo do princípio que o matrimônio está ordenado à salvação de outrem[7], surge a reflexão de que este sacramento não se fecha em si mesmo, mas ao contrário abre-se aos cônjuges, as outras pessoas e ao mundo, revelando os mistérios de Deus através da família. Revela-se primeiramente aos próprios cônjuges na sua íntima relação de união, de fé e de amor entre si próprios e Jesus Cristo, depois aos filhos através de uma educação cristã autêntica, fundada no amor e nos valores primordiais na valorização e no respeito a dignidade humana. E como conseqüência abre-se a toda comunidade, como dispensadora do amor e das graças de Deus, como serva fiel, pronta a ajudar a comunidade e os mais necessitados nas suas maiores dificuldades, colocando-se a disposição das outras famílias. Assim reafirmam-se as palavras do Pe. Caffarel quando ele diz que “o matrimônio consiste em dar-se um ao outro para, juntos, dar-se aos outros” [8].

A afirmação acima traz uma reflexão profunda sobre o papel do casal cristão. Muitos casais ainda não descobriram sua potencialidade diante do serviço que devem prestar a toda comunidade e a Igreja. Verificam-se casais que se encontram como que hibernando, em um casulo fechados em si mesmos, incapazes de manifestar a si próprios e aos outros a grandeza do sacramento do matrimônio. Faz-se necessário que estes mesmos casais reencontrem aquela alegria e jovialidade da graça derramada sobre eles ao darem seu “sim” diante do altar de Cristo, fazendo rejuvenescer aquele mesmo amor de antes, manifestando-o através de suas vidas e do seu exemplo.

As Equipes de Nossa Senhora[9] com o passar do tempo vai assumindo seu carisma e modo de ser próprios. E “Assim surge o germe inicial, cheio de tão promissoras colheitas” [10]. Diante do crescimento das ENS, torna-se necessária uma melhor organização através dos seus Estatutos[11], onde se estabelece um itinerário ou regras que ajudará o casal na busca de sua espiritualidade conjugal. O crescimento das ENS torna-se imenso, ultrapassando os limites da França[12], sendo o Brasil o primeiro país de língua não francesa a receber as ENS[13]. Não se pretende descrever sua expansão, mas como as ENS podem dar respostas positivas às questões familiares, pois “somente através de um crescimento na exigência espiritual será possível responder eficazmente à crise que abala os casais e as famílias” [14].

No intuito de levar uma vida autenticamente cristã, os casais buscam nos Estatutos a razão de ser do seu matrimônio e das ENS. Revela-se um novo modo de ser comunidade[15] e um novo espírito eclesial dentro da realidade familiar e matrimonial que sugere um projeto que perpassa todas as esferas da vida. Desde a possibilidade da vivência de um relacionamento real e intenso com Deus através da efetivação do próprio Batismo até a própria vivência familiar e social. Surgem então as “equipes[16]”, casais cristãos que juntos e em comunidade se consagram inteiramente a Cristo através do serviço, da doação e da entrega total a Deus e aos irmãos. É uma proposta radical e revolucionária que desponta como fortalecedora do matrimônio e da família.
Os casais das ENS sabem que sozinhos não terão forças suficientes para enfrentar as lutas diárias, tanto internas no convívio do lar como externas no convívio e pressões da sociedade. Contudo, juntos e unidos num mesmo ideal, família com família, eles terão forças suficientes para ajudarem-se mutuamente de forma material e espiritual[17]. Exprimindo de forma clara os objetivos das ENS que “é o de ajudar os casais a viver plenamente o Sacramento do Matrimônio” [18].

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[1] No dia 25 de fevereiro de 1939, nasce a primeira Equipe de Nossa Senhora, que até então se chamavam de “Grupos”. Toma o nome de Nossa Senhora de Todas as Alegrias. Esta iniciativa, surgida de uma necessidade difusa, vai ser chamada a um grande porvir. (Cf. Caffarel, 2006, p. 6.).
[2] ALLEMAND, Jean e Annick. As origens da Equipes de Nossa Senhora. Apud CAFFAREL, Henri. A Missão do Casal Cristão: Surgimento e caminhada das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2006. p. 6.
[3] Primeiro nome dado ao que posteriormente viria a ser as Equipes de Nossa Senhora, que se colocaram sob o patrocínio de Nossa Senhora – porque não há melhor guia para levar a Deus do que a própria mãe de Deus. (cf. GUIA das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2003. p. 70.)
[4] ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 6.
[5] Moncau, 2000, p. 11.
[6] ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 7.
[7] CIC 1534.
[8] ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 8.
[9] O Movimento das Equipes de Nossa Senhora é reconhecido oficialmente pela primeira vez, pela Igreja, em 1960, através de uma carta do Cardeal Feltin, Arcebispo de Paris. Em 1975, o Pontifício Conselho para Leigos confere às equipes de Nossa Senhora o reconhecimento como Associação Católica Internacional. Enfim, em 1992, é publicado um decreto de reconhecimento, como uma associação de fiéis de direito privado,pelo mesmo Pontifício Conselho para Leigos. (Cf. GUIA das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2003. p. 8.)
[10] ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 9.
[11] Impõe-se, porém, uma exigência mais vital: dar uma “regra” a este movimento que se desenvolve aos seus membros. Uma regra que sintetize a intuição primeira e os meios de pô-la em prática, que foram aparecendo aos poucos, ou que situem a lógica das metas que se busca atingir. São os “Estatutos”, promulgados em 8 de dezembro de 1947. Surgindo desta forma a denominação definitiva de “Equipe de Nossa Senhora”, que até então eram chamados de “grupos”, os quais são convidados a aderir aos Estatutos. (Cf. ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 11)
[12] Em 1947, o movimento ultrapassa as fronteiras da França, para se implementar na Bélgica e na Suíça. Ano após ano, vai alcançando novos países. Brasil e Luxemburgo em 1950, a Ilha Maurício em 1953, Espanha e Canadá em 1955, Inglaterra em 1956, Portugal em 1957, Alemanha e Estados Unidos em 1958, Áustria e Itália em 1959, Austrália e Colômbia em 1961. (Cf. ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 12)
[13] Moncau, 2000, p. 24.
[14] ALLEMAND, Jean e Annick Apud CAFFAREL, 2006. p. 15.
[15] Uma Equipe de Nossa Senhora é uma comunidade cristã de casais. Formada por 5 a 7 casais, assistidos por um sacerdote. Ninguém entra numa equipe sobre pressão, nem aí permanece forçado. Cada um nela se conserva ativo e fiel ao Espírito. Os seus membros, para levar a bom êxito o seu propósito comum, aceitam viver lealmente a vida comunitária. Esta vida comunitária tem suas leis, as suas exigências próprias, que se concretizam na escolha de certo número de objetivos comuns e de meios bem determinados para progredir no sentido desses mesmos objetivos. (O que é uma Equipe de Nossa Senhora, 1976 Apud CAFFAREL, 2006, p. 129.).
[16] A palavra “equipe” exprime claramente o espírito e a unidade necessária para a busca de um desejo comum; porque os casais fazem esforços juntos e porque eles se ajudam mutuamente, preocupando-se com os outros, com o seu progresso espiritual e humano. (Cf. GUIA das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2003. p. 13.).
[17] Ibid., p. 15.
[18] Ibid., p. 12.



Texto retirado da Monografia “Equipes de Nossa Senhora: uma resposta as questões familiares. Do equipista Valdemir Soares de Silva, da Equipe Nossa Senhora de Fátima – Setor Caicó - Rio Grande do Norte.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PONTOS CONCRETOS DE ESFORÇO: AUXÍLIO PARA O CRESCIMENTO ESPIRITUAL E HUMANO




Viver plenamente o Sacramento do Matrimônio implica um cuidado e esforço cotidiano por parte de toda a família, principalmente por parte dos cônjuges. Marido e mulher deverão abdicar muitas vezes de suas vontades, refreando impulsos e decisões precipitadas, a fim de priorizarem a paz e a harmonia do lar. Ambos devem buscar atitudes concretas que os ajudem a cumprir sua missão. Para que os cônjuges aprendam a crescer humana e espiritualmente as ENS propõem seis Pontos Concretos de Esforço: a escuta da Palavra de Deus, a meditação, a oração conjugal, o dever de sentar-se, a regra de vida e um retiro anual. Estes seis exercícios espirituais são um caminho de purificação e santificação familiar e um convite a entregar-se diariamente a Deus, dando respostas seguras e objetivas as questões familiares. Pode-se dizer com plena convicção que a prática dos pontos concretos de esforço preenche todas as lacunas existentes no seio familiar.

1 A escuta da Palavra
A Palavra de Deus que no Antigo Testamento era passada na família de forma oral e algum tempo depois de forma escrita, toma no Novo Testamento seu verdadeiro aspecto na pessoa de Jesus Cristo, que se encarna e habita no meio dos homens (cf. Jo 1,14). Jesus, palavra viva e eficaz, conduz pessoalmente os homens ao Seu convívio, levando-os pela mão à aceitação e vivência do mandamento novo: “Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 13,34). Após toda sua trajetória na Terra e sua ascensão, os Evangelhos nos são apresentados como itinerário de vida, seguindo nas mesmas pegadas de Cristo.
Escutar com constância a Palavra de Deus é um benefício concreto e eficiente que não pode ser descartado pelas famílias, pois é viver diariamente em contato com Cristo, vivo e presente em sua Palavra. Jesus fez muitos milagres utilizando-se somente da sua palavra, são vários os relatos, especialmente o caso da cura do servo de um centurião (cf. Mt 8,5-13), este confiou plenamente na palavra de Jesus, no seu poder de transformação, de levar o servo de uma realidade de dor e sofrimento para uma nova vida somente através da confiança no poder das palavras de Jesus: “Senhor, não sou digno de receber-te sob o meu teto; basta que digas uma palavra e o meu criado ficará são” (Mt 8,8).
Quantas famílias, ao contrário do centurião, não descobriram ainda este manancial de cura e libertação que está à disposição em suas casas, ou seja, a Palavra de Deus presente na Bíblia. Muitos lares até possuem bíblias, porém, muitas delas se encontram abandonadas sobre as estantes ou guardadas em armários e gavetas, empoeiradas e desvirtuadas de seu valor real. Tratada desta forma, a bíblia torna-se um livro qualquer, de leitura ocasional e situacional, porém, diferentemente de outros livros ela possui um valor primordial e transformador que precisa ser descoberto e valorizado pelos casais e famílias cristãs.
O engajamento nas ENS proporciona aos casais a valorização e o reconhecimento da Palavra de Deus através de sua vivência constante e diária, buscando nela força, apoio e confiança, suscitando uma transformação pessoal e firme no seguimento de Cristo e do seu Evangelho. Ao contrário do centurião que disse a Jesus que uma única palavra bastaria para curar o servo e que Jesus não precisaria ir até sua casa pelo fato dele, o centurião, não ser digno (Cf. Mt 8,8), os casais das ENS são privilegiados, pois Jesus Cristo se antecipou e já adentrou nas suas casas quando estes resolveram assumir plenamente o sacramento do matrimônio, aceitando livremente a proposta das ENS.

2 A meditação
A Palavra de Deus para ser posta em prática diariamente exige uma reflexão madura, pois ela opera milagres e é criadora: dá vida àqueles que se abrem à sua virtude, faz surgir a alegria no lar[1]. O coração ao acolher a Palavra de Deus deve meditá-la, ou seja, conscientizar a mente e o corpo para um diálogo franco e aberto com Deus. É colocar-se diante do Senhor, encontrando-O todos os dias, numa prece silenciosa [2], deixando que a inteligência entre em comunhão com a Palavra, levando a família à sua compreensão para que ela possa agir à luz desta mesma Palavra.
As pessoas e o mundo têm necessitado de silêncio. Não no sentido de não ouvir os pássaros ou o ruído do vento nas folhas das árvores, que podem nos falar muito de Deus na sua maneira de ser. Mas, silenciar no coração e na intimidade, que são perscrutados apenas por Deus. A fim de Alcançar as intenções do Senhor a respeito do que Ele quer de cada um de nós.
Sendo o homem e a mulher templo e habitação do Espírito Santo (1Cor 3,16), cada um é chamado a encontrar-se com este mesmo Espírito para “desenvolver a capacidade de escuta e de diálogo” [3]. É preciso encontrar-se com Deus para primeiramente ouvi-lo e depois de ter compreendido suas palavras respondê-lo, fazendo com que tudo seja renovado: forças, estímulo, esperanças.
A meditação é uma forma pontual de conhecer Deus na sua intimidade e também de auto-conhecimento, sendo a oração um reforço cotidiano disponível e gratuito, pois “onde falta a oração, tudo perece; onde há oração, tudo renasce, tudo amadurece” [4]. É justamente por esse motivo, que é pedido a todo membro do Movimento, que consagre um tempo à oração mental[5], cada dia, a partir do compromisso, no mínimo de dez minutos[6]. Tendo em conta os mil quatrocentos e quarenta minutos que se tem a disposição num período de vinte e quatro horas, não há como ter desculpas ou razões para dizer que não se encontrou tempo ou espaço para um encontro cotidiano com o Senhor. Assim os casais das ENS compreendem que “as Equipes, Movimento de espiritualidade, serão um Movimento de oração, isto é lógico!” [7]. É na oração meditada que a equipe se fortalece e se oferece a Deus, dedicando a Ele seu matrimônio e sua família.

3 A oração conjugal
A oração conjugal é a obediência ao mandato de Jesus Cristo quando nos diz: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” (Mt 18,20). Contemplar o rosto de Cristo através de sua Palavra é um grande privilégio, principalmente quando este dom pode ser vivido pelos cônjuges tornando-se uma verdadeira oferenda a Deus. Orações individuais e ao mesmo tempo comunitária, pois diante do Senhor aquele gesto torna-se partilha, sinal de unidade e de abertura para Deus e para o outro.
A oração conjugal requer tempo e dedicação, pois exige que o casal aprenda a orar em comum, colocando seus agradecimentos e súplicas diante do mesmo Pai, pedindo o auxílio do Filho através do Espírito. A oração feita dessa forma transforma a casa em Igreja Doméstica[8] e casa de oração, onde cada um dos membros toma parte e encontra seu lugar. Os novos tempos pedem mudanças, pois a oração familiar tem perdido espaço, e, em muitas famílias pais e filhos já não rezam mais juntos. Sabe-se que somente a oração não resolverá todos os problemas, ela é um auxílio espiritual, contudo, não se pode subestimá-la. O itinerário proposto pela ENS conduz o casal à descoberta da importância de oração em família, pois como nos lembra o Padre Patrick Peyton, “A família que reza unida permanece unida.” [9]. O mundo moderno tem necessitado desta união e de imediata reestruturação da família. A oração familiar é um passo muito importante e decisivo para que tal reestruturação aconteça, e a sociedade possa “respirar” com tranqüilidade.

4 O Dever de Sentar-se
Outro grande instrumento que os casais das ENS têm a sua disposição é o diálogo conjugal, chamado aqui de “dever de sentar-se”. Pode-se até dizer, sem sombra de dúvida, que o diálogo pode determinar uma relação matrimonial. Ele é vital para a troca de idéias e solução de problemas, para o entendimento e harmonia dos cônjuges e da família.
No “dever de sentar-se” marido e mulher juntos colocam-se diante de Deus numa conversa franca, “encontrando, a cada mês, um tempo de verdadeiro diálogo conjugal” [10], apresentando um para o outro suas dificuldades, anseios e alegrias.
Na verdade, o “dever de sentar-se” torna-se uma conversa a três, pois Cristo encontra-se nela como grande mediador (cf. 1Tm 2,5) coordenando-a para que ambos, marido e mulher, saibam acolher com mansidão e humildade as necessidades e ou dificuldades de cada cônjuge. Por isso é que o “dever de sentar-se” deve se iniciar sempre com uma oração ou momento de silêncio[11]. No “dever de sentar” o casal se dá à oportunidade para se amarem ainda mais. Encontrando juntos caminhos e alternativas para um maior e melhor crescimento conjugal e familiar em todos os sentidos.

5 A Regra de Vida
As ENS propõem ao casal que assumam atitudes que os ajude a preservar seu matrimônio. É no “dever de sentar-se” que o casal encontra alternativas para melhor vivenciar seu relacionamento conjugal. E para se conseguir esta meta, muitas vezes é preciso que os cônjuges abandonem certos costumes e hábitos que os impedem de crescer e chegarem uma maior e melhor vivência deste sacramento.
Assim, o “dever de sentar-se” sugere que cada um dos cônjuges assuma uma postura diferente, mude de atitudes e tenha continuamente coragem para isto. Que eles “concentrem seus esforços, para seguir melhor a sua direção de crescimento e responder com alegria ao apelo que o amor de Deus lhes dirige” [12]. A este esforço as ENS dão o nome de “regra de vida”.
A regra de vida é estimulo e vigor para manter sempre viva a chama do amor conjugal e familiar. Através de uma reflexão sobre todos os aspectos da vida, de forma a assumir concretamente um dever que ajude os casais a perseverar na vontade de Deus. Esta é uma grande prova de amor a Cristo, ao matrimônio e a família.

6 O Retiro Anual
Diante das várias atividades, tarefas e pressões que Jesus se submetia durante o período que passou entre os homens, Ele sempre encontrava tempo para retirar-se e orar sozinho, como nos relata o evangelista Lucas: “A notícia a seu respeito, porém, difundia-se cada vez mais, e acorriam numerosas multidões para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, permanecia retirado em lugares desertos e orava” (Lc 5,15-16). Percebe-se o quanto Jesus valorizava a oração e o quanto ela lhe era importante na sua relação de intimidade com o Pai. Mesmo Jesus Cristo tendo a consciência de que era o Filho de Deus, não negligenciou em nenhum momento a importância da oração e também sua prática individual e solitária.
Seguindo o exemplo de Cristo, as ENS convocam os casais a fazer, a cada ano, um retiro[13]. Que se afastem da correria e do ativismo diário, para recolherem-se em um lugar afastado e silencioso, deixando de lado toda ansiedade e preocupações para encontrar-se a Deus e entregar-se a Ele. É a circunstância adequada de marido e mulher proporcionarem-se “um tempo privilegiado de parada, de escuta, de oração e uma oportunidade de renovação espiritual” [14]. O retiro anual apresenta-se como que o “gás”, um impulso que dará bases sólidas ao casal durante todo o ano, a fim de que eles possam cumprir todos os Pontos Concretos de Esforço com fidelidade e amor, como o Movimento pede. O retiro é um convite a uma melhor escuta e entendimento da vontade de Deus. E se a vontade de Deus é compreendida, o matrimônio e a família se fortalecem.


[1] Responsabilidade das Equipes de Nossa Senhora. Apud CAFFAREL, 2006, p.116.
[2] GUIA das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2003. p. 24.
[3] Ibid.
[4] Responsabilidade das Equipes de Nossa Senhora. Apud CAFFAREL, 2006, p.122.
[5] Á meditação também é conhecida como “oração mental” ou “oração interior”.
[6] Responsabilidade das Equipes de Nossa Senhora. Apud CAFFAREL, 2006, p.122.
[7] Responsabilidade das Equipes de Nossa Senhora. Apud CAFFAREL, 2006, p.123.
[8] É o tipo de lar onde “a família manifesta e realiza a natureza de comunhão e familiar da Igreja como família de Deus. Cada membro, segundo o próprio papel, exerce o sacerdócio batismal, contribuindo para fazer da família uma comunidade de graça e de oração, escola das virtudes humanas e cristãs, lugar do primeiro anúncio da fé aos filhos”. (cf. CIC, Compêndio, 1655-1658,1666).
[9] Cf. A VIDA e Obras do Servo de Deus Padre Patrick Peyton, CSC: “O Padre do Rosário”. Disponível em <http://www.rosarioemfamilia.org/padrepeyton.htm> Acesso em: 20 de maio de 2009.
[10] Ibid.
[11] Ibid.
[12] GUIA das Equipes de Nossa Senhora. São Paulo: Nova Bandeira, 2003. p. 26.
[13] Ibid, p. 27.
[14] Ibid.


O presente texto é um trecho da Monografia "Equipes de Nossa Senhora: uma resposta as questões familiares." Do equipista e teólogo Valdemir Soares de Silva, da Equipe Nossa Senhora de Fátima – Setor Caicó - Rio Grande do Norte.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O QUE DEUS ESPERA DE NOSSA EQUIPE?

O que Deus espera de nossa equipe? Acima de tudo, a caridade, no maior sentido da palavra. Não só em ser generoso com quem necessita de algo material, mas de sermos caridosos para com o irmão, que precisa de nossa compreensão e aceitação com seus defeitos e qualidades. Para construir uma equipe é necessário compreender que quando nos reunimos em nome de Jesus, Ele encontra-se no meio de nós como nos relata o evangelho de Mateus “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome (de Jesus), eu estou no meio deles”. A caridade, o amor fraterno, o auxílio mútuo, a espiritualidade conjugal e o aprofundamento da fé são essenciais para a sustentação de uma equipe, são estes elementos que fará de nossa equipe “o corpo místico de Cristo”. Outro elemento importante é a doação, tanto pessoal quanto em casal para o crescimento e avivamento espiritual da equipe, colocando-se a serviço de cada casal, mas principalmente a serviço da comunidade e na construção efetiva do Reino de Deus. Em cada reunião formal devemos nos esforçar para termos um encontro pessoal com Jesus, crendo e vivendo intensamente Sua presença através de nossos irmãos.


A participação nas ENS nos oportuniza um encontro especial e marcante com Cristo em nossas vidas, onde adquirimos fundamentação e embasamento para crescer na fé e na espiritualidade, compartilhando experiências e encontrando ajuda mútua, dando-nos as mãos e tentando animar os casais que apresentam alguma dificuldade. Contudo, a equipe também é lugar de correção fraterna quando necessário, para que possamos superar as dificuldades e seguir sempre em frente, buscando a espiritualidade conjugal ao lado dos irmãos equipistas e de Cristo.



Tudo isso ocorre porque nos reunimos em nome de Cristo, ele é o centro de nossas vidas e de nossa pequena comunidade que é a equipe. Reunir-se em nome de Cristo nos traz uma conseqüência seguida de uma grande responsabilidade que é passar da simples amizade humana para a amizade cristã. Sabemos que a amizade humana não suporta decepções e erros, e esta é sempre carregada de muito orgulho, que muitas vezes nos ferem. A amizade cristã, porém, suporta todos estes sentimentos que é inerente a todo homem e a toda mulher. A amizade cristã é preenchida de muito diálogo, respeito e principalmente amor fraterno, que é capaz de superar as barreiras que se impõem frente às amizades. A Equipe com certeza é um lugar onde podemos viver fraternalmente. Uma amizade tão grande que já não podemos chamar uns aos outros de amigos, mas de irmãos. E esse tipo de sentimento só se constrói, se Cristo estiver presente, fazendo-se também nosso amigo e companheiro de jornada. A Equipe é o lugar onde o amor fraterno se faz vivo e vivificante.



Por isso é que a Reunião Mensal não é um encontro qualquer, é um encontro com o outro em nome de Cristo. A Reunião Mensal cobre-se de um sentido religioso profundo, onde todos os que dela participam são chamados a sentar-se aos pés de Cristo e ouvi-lo atentamente. Seja através de sua palavra contida na Bíblia, seja através dos outros casais, que com sua experiência cotidiana da vivência do Evangelho e também com suas iniciativas de tentarem viver mais profundamente este mesmo evangelho no cotidiano, transmitem um Cristo vivo, firme e perseverante, mesmo em meio às dificuldades. Dessa forma, cada equipe torna-se verdadeiramente uma “pequena igreja”, onde Cristo senta-se conosco e parte o pão da Eucaristia e da palavra para nós.

sábado, 15 de agosto de 2009

DEUS É SIMPLES

DEUS passei tanto tempo procurando o Senhor, não sabia onde estavas. Olhava o infinito e pensava comigo mesmo:- Será que Tu existes?Não Te encontrava, mas prosseguia. Caminhei em vários lugares.E Tu não estavas.Senti-me só e desesperado, então deixei de crer.Na descrença Te ofendi.Na ofensa, tropecei e caí.Na queda, senti-me fraco.
Na fraqueza, pedi socorro.No socorro, encontrei amigos.Nos amigos encontrei carinho.No carinho, vi nascer o amor. Com o amor vi um mundo novo.No mundo novo, resolvi doar-me. Doando-me, recebi. Recebendo, me sentir feliz.Feliz, encontrei a paz. E com a paz foi que Te enxerguei, pois dentro do meu coração é que Tu estavas.E sem Te procurar. Foi que Te encontrei.

FAMÍLIA: desculpe-nos o transtorno estamos em construção!

A família perfeita é aquela que não desiste de caminhar, de construir e restaurar o seu lar. A família é igual a uma casa em reformas, é o maior transtorno, às vezes, poeira, entulho, tudo que uma construção pode trazer, penso que você consegue imaginar. Mas esse retrato de uma casa em construção demonstra que ninguém está parado em si, ou acha que já está pronto, apesar dos incômodos está em construção, em reforma, em restauração, ninguém restaura um bem se ele não for muito precioso, e isso é um sinal muito positivo. Quem já não leu este aviso em construções públicas: “desculpe o transtorno estamos em construção, para lhe atender melhor”.


Primeira coisa que precisamos notar, é que em casa ninguém é igual, e estamos em níveis de maturidade diferentes. Os pais têm mais experiência, mas entre eles há diferenças. Os filhos estão crescendo, sendo construídos em todos os sentidos, no físico, no psicológico e no espiritual. Aqui entra em ação o material para construir cada um que se chama respeito e paciência com o processo do outro. Por isso, a família precisa ser o ambiente propício para as mudanças, para o crescimento e até para as crises. Ninguém deve ter vergonha de ser o que é, e está como está em casa. Em minha opinião, existem alguns pontos primordiais para construir e restaurar a família:


==> 1º Restaurar o relacionamento com Deus: a base do sacramento do matrimonio é o amor, sem fazer a experiência de Deus é impossível amar de verdade. O amor real muitas vezes passa pela experiência da morte, do aniquilamento, do esquecer-se de si mesmo; e isso, sem Deus, é impossível superar. Mas é preciso respeitar a experiência religiosa de cada um, saber que ela também é individual, mas que dá para fazer um caminho para Deus JUNTOS.
* Oração pessoal e conjugal, rezar juntos e em família faz uma grande difrença ;
* Leitura orante da Palavra de Deus;
* Vida Sacramental, participar ativamente de sua comunidade paroquial, ser Igreja.


==> 2º Fazer da minha casa um ninho de amor: na minha casa eu decido amar primeiro, o processo começa em mim, e eu não posso cobrar aquilo que eu ainda não consigo dar. Procurar defeitos nos outros, culpados, não resolver as situações de tensão ou dificuldades vividas em casa, faz dela um inferno e não um pedaço do céu. Eu preciso sentir o desejo de voltar para casa, ela precisa ser o meu refúgio, meu oásis no meio do deserto. Casa, família, precisa me atrair, significa porto seguro, lugar onde não importa a minha condição: EU SEI QUE SOU AMADO.

==> 3º Partilha e diálogo: isso quer dizer, onde todos crescem no conhecimento de si e dos outros. A falta de diálogo e partilha deixa crescer dentro dos membros da família os venenos que a podem destruir. Os ressentimentos e as magoas, a falta de perdão e o medo de se revelar. Dentro de casa precisa se promover um clima de confiança e aceitação do outro, eu preciso me sentir acolhido para partilhar a minha verdade. Outro dia ouvir a experiência de um movimento que se chama Equipes de Nossa Senhora, que trabalha com casais. Eles têm uma prática que se chama direito de sentar-se. Sentar-se à cadeira, sentar-se à mesa, para falar e ouvir tudo que o outro precisa disser. ISSO É CARIDADE.


Nós não podemos esquecer que cada um tem a sua parte essencial e importante na construção da família, os pais têm seu papel de pilar de sustentação e construção da casa, mas os filhos dão sentido, vigor e alegria aos pais. E assim vamos construindo famílias restauradas.


O que você tem feito para restaurar a sua família? Ore por ela.


Pai santo, Pai amado, a restauração da minha família depende da minha participação ativa e consciente. Do meu amor e compreensão, respeito e paciência com o processo dos meus pais e irmãos, por isso, que eu não sonegue amor e verdade, perdão e misericórdia para com os meus, que esse processo comece em mim primeiro, eu decido amar primeiro em minha família e colaborar com a restauração do santuário da vida, que é minha casa. Amém.
Desculpe o transtorno estamos em construção!



Minha benção fraterna.


Pe Luizinho,Sacerdote Canção Nova.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

LUTAR

O tema "LUTAR" nos remete à nossa caminhada diária de vida, onde através de lutas vencemos cada dificuldade ou barreira que nos são impostas. Dificuldades que se apresentam em todos os campos, inclusive na nossa relação conjugal e no convívio nas ENS. Algumas contradições são frutos do egoísmo, que se contrapõe radicalmente ao amor.
O amor nos leva a assumir plenamente a cruz de nosso dia a dia, configurando-nos a Cristo que soube ser firme e fiel ao carregar sua cruz, que também se tornou nossa. Assumir a cruz é assumir nossa condição humana, conscientizar-se disso para partir para ação. O desprezo da cruz é o desprezo de Cristo e de sua encarnação.
A consciência de que somos humanos e estamos sempre na tentação de errar é fato. Porém, tentação não quer dizer ato consumado ou fim de tudo, mas, ao contrário, é através da tentação que mostramos nossa força e capacidade de sermos mais fortes ainda. Fazendo suprimir o egoísmo através do amor que transforma o sofrimento em meios de santificação.

Os casais equipistas que não se empenham nesta luta, são sufocados pelas próprias ações ou falta delas, pois “para ser justo aos olhos de Deus, não basta sujeitar-se a mandamentos, é preciso ter em si o Espírito Santo e a caridade que Ele infundi em nossos corações [...]”. As ENS por si só não são caminho de salvação, mas reconhecer o Cristo como sendo nosso Redentor é sua maior inspiração e porque não dizer é a sua maior missão.

O tema nos diz ainda que à oração é “o único antídoto conhecido” contra o farisaísmo. Este que faz o homem sentir-se auto-suficiente e não dependente de Cristo. Por isso é que se faz um alerta aos equipistas que ainda não deram um lugar de honra à oração, os quais dessa forma encontram-se fadados ao farisaísmo, pois se satisfazem consigo mesmos, desprezando Jesus e seu projeto salvação.

Para que os casais não caiam na tentação do farisaísmo também é necessário que pratiquem a ascese cotidianamente. Esta, entendida como “uma preocupação, um esforço corajoso, leal, inteligente, metódico, perseverante para mortificar o egoísmo que, sem cessar, aberta ou insidiosamente, faz obstáculo ao amor, e para cultivar em nós aquilo que nos fará chegar a um amor maior”.

Não há como ser casal cristão sendo egoísta, pois se negligenciaria o amor. Nem muito menos dizer que se ama a Deus se não se ama o próximo.

Mararégia e Valdemir - CRE
Equipe Nossa Senhora de Fátima (Setor Caicó/RN).